domingo, 8 de dezembro de 2013

As Flores

As Flores

As flores
abriram a saudar o Sol
As pétalas soltaram-se
numa dança maravilhosa
a saudarem a Primavera

As abelhas cantavam
com mantos diáfanos
no sorriso do amor
Beijavam as flores
com suavidade

Era a maravilha da natureza
com a suavidade
da época recheada de beleza
Os raios de Sol
cobriam com suavidade
os campos verdejantes

A rainha da Primavera
entoava cânticos
à paz dos homens
que cultivavam as terras
sedentas de ternura

As crianças protegidas
pela mão de Deus
dançavam no pátio
com toda a ingenuidade
para um futuro imprevisto.

Pedro Valdoy

Solitário

Solitário

Solitário
cavalgo sem destino
Atravesso o tempo perdido
por montes e vales

Sinto-me a cavalgar
por entre as nuvens
como farrapos de neve
com o pensamento vazio

Borbulham ondas
na segurança perene
atravessei o nevoeiro
por terras desconhecidas

A solidão ecoava
nos meus ouvidos
como surdez vivencial
na cor pálida e solidária

Entrei no palácio do silêncio
Estava cheio de nada
nem o bater da chuva
se fazia ouvir

De repente o chorar
de uma criança
atravessou meus tímpanos
A fome grassava naquele corpo

Minhas lágrimas percorreram
meu corpo trepidante de raiva
dei-lhe comida
e a solidão desapareceu

Os dois solidários
percorremos caminhos
da fantasia e alegria
com o cantar do rouxinol.

Pedro Valdoy



A Eternidade Melódica

A Eternidade Melódica

Johann Sebastian Bach
o etéreo da música
na magia serena do orgão
na sensibilidade dos meus ouvidos
na sensualidade dos sons

Johann Sebastian Bach
génio dos génios
vive na minha alma
de encanto pelos sons
imaculados de uma fuga

Entro em êxtase
com notas musicais
na estrada da vida
sequiosa de mais sons
na grandiosidade de um orgão
na sua opulência
no ultrapassar dos séculos

Meu terno coração silencioso
acompanha a abertura de séculos
na beldade do órgão para o século XXI
de um génio que me fascina.

Pedro Valdoy


A Eternidade de uma Melodia

A Eternidade de uma Melodia

Sons maviosos
entoados por uma flauta
esvoaçavam
por entre os espectadores

A sala sentia-se embalada
com o silêncio quebrado
na inebriante melodia
com acompanhamento
da orquestra

Os violinos
na sonoridade natural
choravam de alegria
encantavam a plateia

A dança entre a flauta
e a orquestra
maravilhava
por entre os espectadores
atentos e entusiastas

O diálogo dos sons
ressoava por entre
os vitrais sagrados
na clareza dos sons

Os andamentos
sucediam-se
com o bailado das notas
que encantavam
com o silêncio aparente
de uma sala
recheada de público

Então o silêncio
chegou
por curtos momentos
e uma chuva de aplausos
se fez sentir.

Pedro Valdoy

sábado, 7 de dezembro de 2013

Rastro

Rastro

No rastro do silêncio
brotam as anémonas
de um amor singelo
com púrpuras de gelo

São fragrâncias da Primavera
no beijo eterno das abelhas
perante a beleza
de um florir inocente

Ventos de Suão
deslizam por terras
na fertilidade do desejo
que acampa sobre nuvens

As formigas marcham
na intempérie da estação
em busca do futuro
por caminhos perigosos.

Pedro Valdoy

A Delícia do Amor

A Delícia do Amor

Teus lábios
deliciosos vermelhos
sequiosos sensuais
sabem a mel do amor

sentem-se no aroma
do meu jardim imaginário
quando passeamos
perdidos no tempo

Tua ternura celestial
ultrapassa o meu ser
rodeado pelas nuvens
de um único amor

Teus pés macios
sentem-se na passadeira
do desejo incontido
com teus olhos de prata

Suavemente me beijas
e o delírio é total
Meu coração saltita
como uma andorinha

Meu espírito
sente a tua meiguice
rodeada pelas ondas
de uma paixão infinda

Chegou a hora
a separação curta
desespera para um amanhã
renovado coberto de beijos

E nossos passeios
continuarão através das nuvens
com passos lentos
na entrada de um novo amor.

Pedro Valdoy

Silenciosamente

Silenciosamente

No silêncio da noite
talvez reencontres
o amor perdido
na melodia deste poema

Na vastidão do universo
talvez seja um poeta
por entre um novo amor
da tua preciosa leitura

O cântico do rouxinol
perto de minha casa
conduz-me ao delírio
de um amor esquecido

Quem sabe onde está esse amor
esse meu amor
há muito esperado
nas letras deste poema

Tua recordação será preciosa
e só tu me perdoarás
por esta minha insensatez
de um amor esperado.

Pedro Valdoy

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Na Aragem do Tempo

Na Aragem do Tempo

Voo na aragem do tempo
passeando na ligeireza do vento
como flores sorridentes
numa humanidade incerta

São talvez pergaminhos
de um amor sentido
com a solidão onde estou
com a amargura do ser

Mas sinto meu corpo
estremecer por entre o vento
recheado de melodias
libidinosas e calorosas...

Pedro Valdoy

Caminhando

Caminhando

Atravessa o mar na ondulação
da vaidade por caminhos
radiosos no relevo da planície

O azul do mar domina os deuses
de madeira meia podre pela prece
da ignorância do homem

O estalar do tronco ferve
num bule de porcelana
na sujidade dos tempos passados.

Pedro Valdoy

ser vagabundo

ser vagabundo

sou o vagabundo das trevas
atravesso a escuridão
como um cão vadio
vindo das estrelas

solitário por profissão
com amigos desconhecidos
interesseiros coisa e tal
por caminhos pedregosos

com pesadelos mil
desperto deste inferno
recheado de politiquices
com entremeada de cobardes

por caminhos desconexos
encontro a maldade
sorridente feliz
na nudeza impura

mas eu e só eu
solitário profissional
vagueio por entre os trovões
da heresia humana
cruel e distinta…

pedro valdoy

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A Ânfora

A Ânfora

No deslizar dos oceanos
a ânfora desce lentamente
até às profundezas
O quebrar foi fatal
para a eternidade

Abriu-se um leque
de seres subterrâneos
adormecidos pelo tempo
O despertar foi lento
e o bailado tem início

A festa no fundo dos mares
transforma-se em algo de irreal
no saltitar dos golfinhos
jamantas e outros peixes
com a curiosidade da magia

O Neptuno silencioso
acompanhado por Anfitrite
no seu coche em forma de concha
puxado por dois cavalos marinhos
assiste à festa cheia de alegria

Rodeado por sereias
está sorridente tudo corre bem
A dança mais animada está
mas o malfadado cachalote
rezingão estraga tudo.

Pedro Valdoy

A Alma de um Povo

A Alma de um Povo

Fado falado
fado cantado
no choro de uma guitarra
rasgada de sentimentos
vivos gritantes

Onde as paixões
fortes e sentidas
entoam sensações
colossais sensacionais

A emoção do canto
como alma lusa
vibra nos céus
deste pobre país

Fado fado
como raiz que dança
se espalha com letras lusitanas
que transbordam pelas ruelas

São letras são palavras
lusas puras
que saltitam em espaço
inteiramente lusitano...

Pedro Valdoy

Badaladas

Badaladas

As badaladas do tempo
são a bravura de um povo
com o choro inglório
com o sorriso dos políticos

os poderosos fumam charutos
o pobre rói o pão podre
e arrasta-se nas lágrimas
no cinismo de certos canalhas

Eles andam faustosos
os desgraçados andam descalços
por entre a podridão da fome
e sente-se o cheiro da morte

Pobre gente esta
carregada com pedras
e os grandiosos
cheios de ouro todo sorridente...

Pedro Valdoy


Sou Barqueiro

Sou barqueiro

Sou o barqueiro
do amor
deslizo pelas margens
de um lado a outro

Sinto os remos
beijados pelas gaivotas
que dançam sem cessar
com piares suaves

Basta um chamamento
e os namorados
entram sorridentes
talvez desconfiados

Os beijos sucedem-se
a cada remada
e o Sol resplandecente
sorri com malícia

Os golfinhos
brincam à minha volta
e os namorados
continuam cobertos de amor

Chegados ao destino
abraçadinhos vão
e esquecem-se da gorjeta
para alimentar meus sonhos.

Pedro Valdoy

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Luar

Luar

Serei o luar do teu amor
no silêncio da noite
no descampado suave

Serei a esperança na nave
dos teus sonhos irrequietos
na ravina do passado

Serei algures incógnito
na travessa da tua rua
ensolarada e limpa

Mas a escassez da sobriedade
persegue-nos pelas flores do campo
em tapetes lisos e limpos.

Pedro Valdoy

Flor

Flor

O amor
entoa cânticos
da vitória
que rodeiam os seres

As flores
abrem-se de alegria
saltam pétalas
cobertas de paixões

Um beijo sensual
faz sorrir o Sol
com as andorinhas
no chilreio enamorado

As abelhas
autênticas bailarinas
saltitam de flor em flor
para o beijo terno

São momentos de paz
que rodeiam os campos
enquanto as crianças
brincam com a ingenuidade

No beco da minha aldeia
dois namorados
perdidos no tempo
beijam-se languidamente

No lar
com as crianças a dormir
o abraço ternurento
para o anoitecer dos tempos.

Pedro Valdoy

Em Silêncio

Em Silêncio

No rastro do silêncio
brotam as anémonas
de um amor singelo
com púrpuras de gelo

São fragrâncias da Primavera
no beijo eterno das abelhas
perante a beleza
de um florir inocente

Ventos de Suão
deslizam por terras alentejanas
na fertilidade do desejo
que acampa sobre nuvens

As formigas marcham
na intempérie da estação
em busca do futuro
por caminhos perigosos.

Pedro Valdoy

Amizade

Amizade

Sinto-me desolado
numa rua deserta
sem carinho
numa solidão imensa

Meus passos
com o peso da amargura
parecem pedras
na calçada

Desiludido me sinto
mas ouço ao longe
a Flauta Mágica
do Mozart

De repente as estrelas
parecem fogo de artifício
a acompanhar aquela magia
e senti uma nuvem a rodear-me

Mas... não sei porquê
uma porta se abriu
e alguém me chamou
com o sorriso talvez de Deus

Eu entrei
e chamaram-me amigo
e então as luzes se acenderam
com o milagre da amizade

Com o canto da Flauta Mágica
com o sorriso daquele homem
que me chamou amigo
surgiram as lágrimas da felicidade.

Pedro Valdoy

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Pelos Caminhos

Pelos Caminhos 

Pelos caminhos da eternidade
com o peso inconsciente
da maldade sofrida
meus pés de chumbo são pecaminosos

Por estradas de veludo
na sensibilidade do ser
minha consciência divide-se
por planícies débeis

Ser ou não ser
o mais certo é ficar na podridão
deste triste mundo
conseguirei sorrir?

Serei um vil demónio
ou um sacrossanto
a minha certeza é esta
com tanta vilania fiquei indeciso

Embriagado na sonolência
com tanta confusão
uma coisa é certa
Deus proteger-me-à.

Pedro Valdoy

Brisas

Brisas

São brisas de vento
ao sabor de um amor
aquecido pelas areias
do mar irrequieto

São folhas soltas
no alerta ventoso
por ruas esquecidas
na serenidade do meu ser

O vento é cruel
no derrube de instituições
quebradas pela tradição
em tempos de verão.

São tempestades
agoirentas e sequiosas
no derrube de árvores
pelos tempos fora.

Pedro Valdoy